Monday, April 02, 2007

excertos II

...
Quando a decisão de excluir apêndices surgiu, já nós os dois tínhamos combinado passar o fim-de-semana juntos e sozinhos. Ele então decidiu que não ia. Achei que tinha de intervir e munida de bons argumentos convenci-o a ir ao almoço que profissionalmente tão precioso lhe era, que eu andaria, feliz e contente, a estourar dinheiro em compras – para mim, para variar um bocadinho e não ser sempre para os outros!

Tudo parecia bem.
Parecia.
As horas passavam… tinha gasto tanto quanto podia… voltei para casa e passei-lhe a roupa a ferro (17 camisas e uma máquina só de t-shirts… estava farta… e enjoada do cheiro do Vaporess!) …

Tínhamos combinado previamente que iríamos passear no Domingo, tipo piquenique…
Mas… nem um telefonema… e… almoçar está bem… mas estar em casa lá para as 16h não lhe ficava nada mal! …
*18h45m… chega o artista! Estava a cozinhar para as sandochas e ele apressasse a expressar o seu estado farto e a manifestar vontade de não jantar (e de beber, pois os olhinhos vidrados não enganavam ninguém!!!) Engoli…
*Depois fomos para a marquise… e o tema mais cómico que ele tinha era o da história do amigo que a namorada telefonou 3 vezes e que ele apesar de ter já coisas agendadas com a rapariga, arranjou uma bela de uma historieta para poder aceitar o convite irrecusável do irmão para ir ver o Jogo de futebol ao Dragão! Senti-me parva…
Ora vejamos: estive, ontem, muito tempo a tentá-lo convencer a ir ao almoço para ver se as relações de trabalho melhoravam. Não terei eu sido conduzida a fazê-lo? Senti-me enganada… mas calei…
* “Vamos prá cama descansar um bocadinho!”… pois… é para me saltares melhor em cima, não? Pensei eu já com os maus fígados a chegar à garganta! Ele deitou-se a ver televisão e eu tentei manter-me atenta ao programa!
* A jóia adormeceu! Ora que belo cenário!

A certa altura dou por mim com uma imagem muito má! Ora então, eu passo o dia a passar a ferro, limpar e cozinhar para que tudo lhe seja mais leve, facilito-lhe a vida para que não se acanhasse e fosse sair e conviver com os amigos, estando assim a esforçar-me por não deixar os meus anticorpos “empresa” interferirem e recebo…



recebo a perspectiva de comer uma sandes ao jantar, continuar sozinha encanto sua beldade dorme, ter que afastar as suas investidas ainda por cima mais trôpegas devido ao álcool, e ficar feliz e contente por passar assim o meu Sábado do fim-de-semana a dois! Belo cenário!

Levantei-me, tomei banho e vim acordá-lo.
Vim lhe mostrar o algo que se arrisca a perder!
Não sou uma deusa, nem para aí caminho, mas não sou assim tão desajeitada: pedi que me espalhasse creme! Que visse e tocasse mas nada mais que isso!
Em seguida empiriquitei-me toda (até me maquilhei) e comuniquei: vamos jantar fora, vamos ligar ao teu irmão e vamos estar com eles!
Ai que não podia ser! Porque ele não queria jantar e porque não está à-vontade com o irmão, porque era um fim-de-semana a dois e porque já estávamos chateados!

Pois é!
Nem vala a pena falar os argumentos restantes de ambas as partes!
Perdi a cabeça e fiz asneira! Da grossa!
Não vens – eu vou! Eu não vou ficar em casa! Fiz as trouxas e desci!
Mas não consegui ir embora… chorei, nem acreditei como estava tão bem-disposta e isto chegou às proporções que chegou porque eu não me controlo e exagero…

Dei o braço, não a torcer – a partir, pois isto vai sair-me muito caro! Mas a verdade é que não ia deixar que a “empresa” me afastasse novamente da pessoa que gosto assim de qualquer maneira! Telefonei e disse-lhe isso mesmo! Estava à espera dele para ir jantar. Ele desceu como um cordeirinho!

...

Questão - o que é que está errado?

Thursday, March 08, 2007

O meu desejo é o de este dia deixe de ser celebrado!

para a Mãe, a Irmã, a Amiga e Inimiga, para a Prima, Tia, Comadre, Vizinha, Colega e Companheira...
para professora e aluna, para a artesã e para a agricultora, para a ama, a artista, a cozinheira e mulher-a-dias, a dançarina e freira, para a veterinária e a trabalhadora do aviário, para a talhante e a vegetariana, para a fotógrafa e a modelo, para a designer, para a cliente, cabeleireira e manicure, para a atleta ...
para mim e para ti...

O meu desejo é o de este dia deixe de ser celebrado!
Porque significará que não há mais direitos e igualdades pelos quais lutar.
Porque o tempo será justo e equilibrado, tolerante e acolhedor.

Porque já não contará a cor, a raça, a crença nem o sexo.
Porque estará tudo bem... ou pelo menos melhor!

Tuesday, March 06, 2007

um conto retorcido de uma viagem


O coche segue a estrada, trepidante, em asfalto repelente - tormento de viajante assíduo entre, o verde espelhado de azul celeste, que, rumando a Norte, vai em busca do cinzento altivo ferrugento de betão.
O Servo respinga ao adivinhar a calçada áspera que tem como destino - uma estrada medíocre do século passado, batipzada de N203, tendo ainda, hoooooras de percalsos neste antro populacional da Ic1, onde o tudo tropeça entre carripanas de bagagens inúteis, apressadas por dois ponteiros, tontos, entre as zero e as doze.
“A Ponte é já ali ao pé. A Dama... não te preocupes... chegará a bom porto.” - diz Companheiro.
Servo não vai só. Leva consigo o seu sempre Companheiro - aquela presença omnisciente e omnis-ausente do resto do comum dos mortais.

Companheiro - que melhor nome para um amigo imaginário?

Num ritmo de papa-quilómetros, perdem-se nas vistas pelos antigos Produtos Estrela... agora são outros... São Berschkas, Tribos, Mangos e MacDonald’s, em esquina, num aglomerado de caixas, caixinhas, sacos e prendinhas, com asas, sem pegas, verdes, pretos, cores de rosa e cores da moda... onde tudo muda... até o lugar.
Servo pensa na sua Dama, a sua carga: um retrato de boneca fixado a uma meia dúzia de mega pixeis, pequeninos, pequeninos... invisíveis ao seu olho castanho cabeludo, peganhento de água salgada que escorre.

“Amarras-te bem a carga?” - pergunta Companheiro. “Uma coisa tão pequena que cabe na algibeira, só pode ser valiosa...”
Servo permanece tranquilo. Um beijo de teia fléxivel, com pontinhas de metal arqueado, agarradas tipo “Preguiça” aos [fuínhos nas paiedes] do coche, protegem o todo... de tudo...
Mas bem... nada de perder as estribeiras e tentando seguir o carril imaginário do eléctrico (ops!!) do metro, segue-se a estrada que não pára de correr......
e crescer......
alarga em lados......
e em comprido......
e em tempo......
que urge......
que já é tarde.
Um corvo anuncia o traçado até Ponte de Lima.
É tempo de mudar à direita (quem sabe... atraídos por cheiro a citrinos porosos amarelo avermelhados...).Mas de política não reza esta história. É pois em frente, que vem gente... de certeza. É tempo de parar e seguir à esquerda.

Daqui em diante será tudo mais verde... ou negro, dado o tardio da hora e do tempo solar, que nesta altura de folhas a tombar, é mais rarefeito... tal como o ar das alturas, no resultado das relações entre terra e mar, que começa a aumentar...

Até à Senhora Dona Teresa falta um pedacinho. Caminhos torcidos escavados em encostas serenas densamente povoadas, ora por nada, ora por pouco, ora por coisa nenhuma (pensamento néscio de quem acha que o nada, não é algo cheio... pelo menos, cheio do que lhe quizermos dar...).

A retorta continua...contínua... a ritmo de rotações médias lascivas ao chão caprichoso de sobe e desce pouco agressivo.

Afloramentos de betão ladeiam construções de pedras milenares que “se essas paredes falassem” cantariam cochichos intermináveis, de intriga tipo “o pão nosso de cada dia nos dai hoje” que sem língua bífida, morre-nos a alma de fome.Acrescentariam missas decoradas sem compreensão de um latim ausente à sabedoria (não saloia, mas minhota!) do Zé Povinho nortenho.

Sussuros em cubículos de contrissão onde se recriam com mais ou menos ardor, ... ou amor,... ou temor,... gulas e luxúrias para profundo conhecimento do mal. Para julgar, é preciso conhecer. Assim se aprende em qualquer canto desta bola azul afogada em gazoso leite.

Mas do negro destas trevas que contam idades, algo brilha, inocentemente sozinha, nem que seja uma vela curvada de cera mole, acalentada pelo “cordeiro de Deus que tiras o pecado do mundo”, tal qual porteiro acolhedor, mas tímido, no ouvido da pequena capela de beira de estrada, que não sendo romana, tem do românico o estilo.
De Ponte final, nem sinal. Na estrada rude, o coche, dardo sanguínea metalizado, segue em direcção ao centro alvo.

A Chegada a Ponte de Lima é aguardada por D. Teresa, senhora que de geografia nada percebe e se ordena um caminho mais à esquerda, devem agradecer, “ámen, ámen” e seguir pela direita, onde a ladeira em granito paralelipipédico é recta em padrão ortogonal ascendente, perturbada por circulares estorvos que impoêm a forma de como os contornar. Tal cobaias em labirinto, ao caminho vamos aprendendo obedecendo, a fim de o repetirmos vezes e vezes sem conta... aqui, alí, mais além ou mais longe ainda... mas desta praga já não fugimos que deste mal vamos padecendo.

João Pestana acena de longe, embalado por monocórdicos tremeliques ao ritmo dos andamentos da calçada, amamentado por humidade esfumada de frio, que se entrenha por poros minúsculos e que incomoda os olhos.

“Então? Ainda falta muito?”
“Quanto tempo falta?”
“Já chegamos?”
“Estou com fome...”
“É já ali?”
“Ainda bem que já não falta. É tempo de pousar a trouxa e descansar o lombo” - reclama Companheiro, indignado pela indiferença recebida.

Quem disse que na imaginação, além do famoso fantástico mundo de fantasia, não reside também a rabigisse?

Se esta história fosse outra e Companheiro, um quadrúpede - zorraria; e Servo seria (ogre e) verde e a Dama uma ruiva anorética, que nos dias de hoje, como “mudam-se os tempos / mudam-se as vontades” se consideram princesas...
São gostos que supostamente se educam, e se assim continua ou terminam todos mirrados aos ossos ou alastrados ao chão tipo lapa, redondos de tanta gravidade...
Quer-se ser Fino em tudo!... e de finura em finura (do Fondue Française à magreza flagrante da destreza a encontrar facilidades de vómito),...
no fundo, no fundo,...
terminaremos todos finádos,...
e já nada há a fazer.
Finalmente... (ok, ok... #%*#?!#@ ... Eu paro com o efs...)

Um brasão esquecido de tão escondido que está do tempo, do lugar, se si mesmo, que só se lembra do bus que lhe pára, horário sim, horário sim senhor, deixa adivinhar a Ponte...

A Ponte da Barca que passa o Lima em direcção a Arcos do [Vale do Vez] ...

Rumam direcção à feira, que já noitinha, não serão roubados de certeza. Sim, sim, que aqui roubasse às claras, de sol a pique e até nos avisam...
“São 45 Patacos pela Saia, Senhora” como se tivesse o contrabando a arrogância aristocrática da libra de ouro ou brilho a carbono stressado entre calor e peso.
Trepassada a Ponte, é na ladeira de espiral pouco complexo o seu destino...
A Casa da Calçada.
Onde vão descobrir que TUDO, é simplesmente uma coisa pequena, com um quarto de dormir e casa-de-banho, uma cozinha incompleta, mas com o recheio que lhe quisermos dar... TUDO, é entregar, mas para fazer de novo, o retrato de uma boneca ao canto das escadas, que tem a roupagem tradicional de quem dançou rancho, sem ter rancheiro para tratar...

Companheiro já dorme e Servo quer dormir.
Afinal amanhã é outro dia e com, ou sem nuvens, o sol vai sempre estar ali... a brilhar.

Monday, February 26, 2007

excertos

e porque a minha vida é ...
aqui vou postar uns excertos...
pouco de cada vez para que ...
sei lá...
talvez...

...
Confesso que já me imaginei a viver na serra, a cultivar as frutas e o linho, a aprender a tecê-lo, a trabalhá-lo e bordá-lo e ter uma pequena lojinha, tipo posto de turismo regional a vender o fruto desse trabalho...
Mas... será viável? Eu também sou aldrabona... conseguiria que o trabalho fosse perfeito? Mas e sou eu boa o suficiente?... acho que não! Provavelmente correria mal e seria mais uma frustração... ou se calhar sou preguiçosa... sim... pois empreender uma aventura destas iria ser difícil e exigiria muito suor e tempo!

Mas a verdade é que a minha vida anda assim um bocado parada. Sem nada a que esteja agarrada a 1000%. Sem nada meu realizado.
Estou a ser exigente, não estou?
E arrogante também!

A vida não é uma aventura de caça à cidade de ouro (e esta expressão lembrou-me uns desenhos animados que na meninice passavam na televisão... tratava-se da busca de uma cidade de ouro Maia ou Inca – isso já não lembro).
E como posso eu querer ser mais do que o comum dos mortais que se levantam todos os dias para trabalhar em algo que nem gostam... queixam-se do marido, dos filhos, bebem para esquecer e pagam, mês após mês a prestação de uma casa que se calhar também não gostam mas era o que o dinheiro conseguia comprar...

(isto passa...) ...

Thursday, December 21, 2006

prenda de natal III


Deveria ser magnânima e maior! Deveria ter-me esforçado mais!
Espero que tenha sido o suficiente para poder ser "sentida" por alguém!

Prometi cachecóis... faltei à promessa - só fiz 4...
mas tentei...
Desculpem...
...ando a aprender a errar cada vez melhor...

Thursday, December 14, 2006

prenda de Natal II

B: Então M? Perdeste o teu telemóvel!!
M: Eu?! Perdi? Ai Sim? Ainda não dei falta dele! Obrigada por me avisares!!!
B: ouve: há alguém que te ligou e atendeu a funcionária da padaria! Vai lá e fala com a A**
M: ok... obrigada! Vou tratar disso “anjinho Colorido”!


M: Olé! Já tenho o meu telelé! Posso ligar-te mais tarde?
A**: vamos hoje ao Porto e pensamos em irmos tomar um café contigo, aí, em terras de Santa Maria!
M: Venham, Venham... que hei-de arranjar um tempinho!



(e assim nascem apegos aquecidos ao Natal que está a chegar)
(Obrigada...)

Wednesday, December 13, 2006

prenda de Natal

E sozinho estava o “amor” que vive e morre, como bolbo de flor ingénua, que de auto-suficiente se torna consciente da ideia de outro querer “amar”.
Que agarrado a amarras cor de sangue, estanque a laços sublimes e eternos, se vai aventurar em construções que já deseja, em seguimento da moral cultural e ética de que se formou!
E cria novos ninhos e destes brotarão sementes para todos os crentes de que o “amor” poderá durar.
E este é o caminho exemplo que entre muitos que vais caminhando, ensinas a pranto, para que outros possam imitar.

A sina agora tu constróis!
E não esqueças nem adormeças! acautela-te pois o bolbo seca e morre!

*Agradece e mantém a força;
*Rega e acarinha a face gémea;
*Alimenta a conjectura da não-rotina;
*Ferve em lume brando para que a chama se não apague;
*Afaga a alma que te carrega e se entrega nos teus braços (a sorrir ou a chorar)!

Tuesday, November 28, 2006

Permissão











Para falar abertamente
Do que vai na mente
Do que doí
Do que me faz crente.

Do coração, da alma
Mas para ser ouvida
Sem saída
Ou esquiva preguiça
Do depois e do amanhã
Sem outra premissa
Que não seja sentida
Com o coração!

Amanhã estará
Como sempre
O sol que brilha
Quer chova
Ou troveje
Quer eu cante
E talvez espante
O que por dentro
Me rasgue
Ou me coza!

Hoje é dia de festa!
Amanhã é dia de festa!
E depois...
Quem sabe
Nada me impeça
De continuar a festejar!

A noite é tua
De quem por afecto,
Curiosidade ou
Por mau jeito aqui veio parar!
E nela reina,
Coroada de estrelas infinito,
Véu azul modéstia
A senhora dos Encantos
Que dela é cheia e farta
De sonhos.
Dos teus
Dos meus
Dos de todos nós!
















Permissão
Para que não esqueças
Que o sonho é grande
Mas não
(necessariamente)
Solitário.

Friday, November 24, 2006

as fábulas da flores verde

Quem me dera ser outra vez pequenina... (isto dito bem de cima dos meus 155cm, sapato raso)...
Quem me dera andar outra vez à espera que a minha irmã atirasse valentinas do cimo da árvore grandiosamente pequena, por questão, mas que eu tinha medo de trepar.

Ter medo da trovoada mas ser princesa que enfrentava os monstros do seu quarto, enfiando-se bem, bem no fundo das mantas, e respirar com jeitinho para que eles não vissem as mantas mexer...

Subir à mãos do meu pai e bem equilibrada tocar no tecto (que por sorte não era direito dos pés, logo bem raso e curto das pernas...)

Não ver quinhentos e vinte e oito mil canais de televisão mas dava a floresta verde com um personagem que também se chamava Mara...
é bom ver na floresta o sol nascer, é bom imaginar o que vai acontecer...

quem me dera esquecer cicatrizes amargas de coração e lembrar só daquelas que já passadas não passavam de “arranhão”.